Sua partida me fez perceber o quanto eu te amo, e com o tempo, um dos meus maiores medos é acabar te esquecendo.

terça-feira, 6 de julho de 2010

O presente

- Mamãe, - perguntou a menina de olhos verdes com a cara grudada no vidro do lindo Eclipse de sua mãe de olhos azuis - porque aquele homem de olhos escuros ali na rua fica fazendo malabederizo? – Tropeçou ela nas palavras.
- Malabarismo filha! – corrigiu a mãe.
A mulher olhou para aquele homem sem teto com aquele seu coração frio. Ela teve nojo.
- Ele não é rico como a gente – disse a mãe de nariz empinado. Ele está aí tentando arrumar dinheiro.
- E ele consegue?
- Às vezes filha, as vezes.
O sinal abriu e o carro começou a andar. Seus olhos verdes, de cor esmeralda acompanharam o homem. Estava pensativa. Seu coração estava corroído, estava sentindo muita pena do homem. Todos os dias de manhã ela fazia com sua mãe o mesmo caminho para ir à escola, e aquele homem estava lá, todas as manhãs. E cada dia que se passava os seus olhos verdes se enchiam mais e mais de lágrimas. Mas ela só tomou uma atitude quando viu numa certa manhã que os olhos escuros choravam desconsoladamente, e que ele segurava um cartaz. A menina confusa tentava entender o que se passava com ele.
- Mamãe, lê para mim!
A formosa senhora suspirou.
- “Socorro! A minha filha de três anos está com uma forte pneumonia e não tenho dinheiro para o tratamento. Me ajudem!” – A mãe não fitou a garotinha, apenas manteve a pose.
No outro dia a menina segurava uma caixinha branca, de veludo. Os olhos azuis da mãe tinham percebido que havia algo de diferente na pequena. Ela estava ansiosa. Mas a senhora não se atreveu a perguntar. Ela apenas se conteve.
Quando chegou no costumeiro sinaleiro, a garota abriu um sorriso. Lá estava o homem! Sem mais nem menos ela abriu a janela, colocou o corpo para fora e chamou o homem, ignorando os gritos de sua mãe. Os pequenos olhos verdes se encheram de lágrimas, e um sorriso tímido surgiu em seu rosto.
- Um presente para você, para sua família.
Então ela entregou a caixinha. A menina continuou fitando o homem enquanto seus dedos trêmulos a abria, e percebeu que seus olhos eram castanhos claro. Já aberta, o cara surpreso olhou para ela, não acreditando. Então o sinal abriu e a sua mãe arrancou o carro, e sorridente a menina acenou para ele, se despedindo. O homem fitava o carro, emocionado. A menina se sentou novamente no banco, e colocou o sinto.
- O que foi aquilo? – gritou a mãe.
- Um presente. – disse a menina com seus olhos verdes brilhando.
- O que tinha nele? – gritou a mãe impaciente.
- Toda a minha mesada dos últimos 10 meses.
A mãe abriu a boca.
- Mas a sua mesada é de 3 mil por mês, daria 30 mil reais no total. – disse a mãe ainda gritando.
Os olhos verdes piscaram, derrubando uma lágrima. A filha olhou para a mãe encabulada, mas com seu lindo sorriso ainda no rosto.
- Eu sei.

3 comentários:

  1. e pensar que as pessoas de hoje em dia são assim, mas eu adorei :} *-*

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  2. afe, que estória liinda *-* quase chorei quando li. parabéns, viu?

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  3. Muito linda a historia mesmo, adoreei (: Parabéens!!

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